- Janeiro 18, 2026
Tribunal responsabiliza hospital pela morte de Sara Moreira
O Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Penafiel concluiu que o Hospital Padre Américo teve responsabilidades na morte de Sara Moreira, ocorrida em janeiro de 2013, na sequência de um tumor cerebral nunca diagnosticado, apesar de a jovem de Recarei ter recorrido por dez vezes ao serviço de urgência. A informação é avançada pelo Jornal de Notícias (JN).
Segundo adianta o JN, o tribunal apontou falhas na articulação dos serviços hospitalares, a inexistência de reencaminhamento para consultas da especialidade e a ausência de exames complementares de diagnóstico, como a tomografia axial computorizada (TAC) ou a ressonância magnética. Estas falhas levaram à condenação do hospital ao pagamento de uma indemnização de 105 mil euros à família da vítima.
De acordo com a mesma fonte, entre fevereiro de 2010 e janeiro de 2013, Sara Moreira recorreu repetidamente à urgência com queixas de dores de cabeça, vómitos, nervosismo e desmaios frequentes. Apesar da persistência dos sintomas, foi sempre diagnosticada com crises de ansiedade e medicada com ansiolíticos e analgésicos, sem qualquer acompanhamento especializado.
O JN refere ainda que a jovem morreu em casa, em Recarei, dois dias após a última ida à urgência, tendo a autópsia revelado a existência de um tumor cerebral. Na sentença, o juiz considerou que a realização atempada de exames de imagiologia poderia ter permitido a deteção da doença e possibilitado intervenção clínica.
Ainda segundo o Jornal de Notícias, em processos criminais anteriores os médicos envolvidos acabaram absolvidos, por não se ter provado intenção dolosa, embora os tribunais tenham reconhecido a existência de erro de diagnóstico. No plano administrativo, o TAF entendeu, no entanto, que o hospital violou os deveres objetivos de cuidado e as leges artis. A unidade hospitalar já recorreu da decisão para o Tribunal Central Administrativo do Norte.