- Janeiro 9, 2026
ULS do Tâmega e Sousa rejeita cenário de rutura no Hospital de Penafiel e garante resposta assistencial
SAÚDE. Em comunicado, a administração hospitalar garante que “não está nem nunca esteve em causa a assistência aos doentes” e assegura que, neste momento, existem apenas nove doentes internados no serviço, sem registo de doentes nos corredores.
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Tâmega e Sousa rejeitou, esta sexta-feira, a existência de uma situação de rutura assistencial no Serviço de Urgência do Hospital Padre Américo, em Penafiel, contrariando as denúncias divulgadas pelo Sindicato dos Médicos do Norte/Federação Nacional dos Médicos (SMN-FNAM). A resposta surge após o sindicato ter denunciado que cerca de 70 doentes permaneceram internados durante vários dias no Serviço de Urgência por falta de camas em enfermaria, situação que, segundo a FNAM, ainda afetaria cerca de 40 utentes e poderia agravar-se ao longo do fim de semana. Para o sindicato, trata-se de um cenário de funcionamento “acima do limiar de segurança clínica”, que considera estar a tornar-se estrutural no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
No comunicado, a ULS sublinha que o aumento da procura verificado é “transversal à generalidade dos hospitais do país” e enquadra-o no período sazonal de inverno. Perante este contexto, refere ter ativado o Plano Sazonal de Inverno no nível máximo (nível 3), com um conjunto de medidas destinadas a reforçar a capacidade de resposta assistencial.
Entre as medidas adotadas, a administração destaca o reforço das equipas clínicas e assistenciais, o aumento da capacidade de internamento — incluindo a contratualização de camas com os setores social e privado —, o adiamento programado de cirurgias não urgentes e a monitorização permanente da procura e da resposta dos serviços.
A ULS considera ainda que as notícias divulgadas apresentam um “cariz alarmista” e não refletem a realidade atual da instituição. “Nenhum doente fica para trás”, assegura o Conselho de Administração, garantindo que todos os utentes são acompanhados “com competência técnica, profissionalismo e humanidade”.
Já o SMN-FNAM sustenta que a situação relatada não corresponde a um episódio isolado e acusa a administração de não ter tornado conhecido, junto dos profissionais, o plano de contingência anunciado numa reunião realizada a 23 de dezembro. O sindicato alerta para internamentos acima da capacidade instalada, rácios médico/doente considerados incompatíveis com cuidados seguros e a permanência prolongada de doentes em áreas não adequadas.
Embora reconheça os constrangimentos enfrentados pela gestão local, o sindicato responsabiliza o Governo pelo que considera ser uma falta de resposta estrutural, apontando o subfinanciamento do SNS, a escassez de camas hospitalares e a carência de médicos como fatores determinantes.
No comunicado agora divulgado, a ULS do Tâmega e Sousa reafirma o compromisso com a segurança e qualidade dos cuidados, com a informação transparente à população e com a melhoria contínua da resposta do SNS na região, elogiando o empenho dos profissionais de saúde que asseguram o funcionamento dos serviços sob forte pressão assistencial.