• Setembro 28, 2026

Relação manda repetir julgamento do processo de doping da W52-FC Porto

Relação manda repetir julgamento do processo de doping da W52-FC Porto

O Tribunal da Relação do Porto (TRP) anulou o julgamento do processo de doping da extinta equipa W52-FC Porto e determinou a repetição de parte da audiência, depois de considerar ilegal a forma como foram prestadas as declarações do antigo diretor desportivo Nuno Ribeiro.

A decisão surge na sequência dos recursos apresentados por Adriano Quintanilha, proprietário da equipa, e pela Associação Calvário Várzea Clube de Ciclismo. Em causa está o depoimento de Nuno Ribeiro, que, em novembro de 2024, leu em tribunal, durante cerca de uma hora, um documento previamente preparado.

Para a Relação, esse procedimento não constitui uma forma admissível de prestação de declarações em julgamento. O tribunal de primeira instância terá, por isso, de reabrir a audiência para que Nuno Ribeiro possa voltar a depor, caso o pretenda, desta vez sem recorrer a um texto escrito.

O TRP considerou ainda que o Tribunal de Penafiel aceitou a leitura do documento sem a questionar e que essas declarações tiveram influência na decisão. O acórdão terá agora de ser reformulado nos pontos afetados pela prova considerada ilegal.

O Tribunal de Penafiel tinha condenado, em dezembro de 2025, Adriano Quintanilha e Nuno Ribeiro a quatro anos e nove meses de prisão efetiva no âmbito do processo «Prova Limpa». Outros 11 antigos ciclistas da equipa foram condenados por tráfico de substâncias e métodos proibidos, com penas suspensas inferiores a dois anos e meio.

As declarações de Nuno Ribeiro anuladas pela Relação incluíam a admissão da existência de práticas de doping na equipa e acusações de que Quintanilha financiava e incentivava a utilização de substâncias proibidas.