Projeto de urologia e infeciologia do CHTS reduz em mais de 80% consumo de antibióticos

Publicado em Publicado por: O Paredense
Fernando Vila (Urologista), Joaquim Lindoro (Diretor do Serviço de Urologia), Rita Ferraz (Coordenadora do Serviço de Doenças Infeciosas), Rogério Ruas (Infeciologista) e Hélder Castro (Urologista). FOTO: CHTS.

Em 2020, os serviços de urologia e de doenças infeciosas do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) conseguiram diminuir complicações infeciosas pós-cirúrgicas nos doentes de urologia e reduzir mais de 80% do consumo de antibióticos.

Segundo o CHTS, os resultados surgem de uma parceria entre os dois serviços hospitalares que visa a constante atualização e implementação dos critérios mais recentes em relação à utilização de antibióticos, tendo como objetivo evitar a resistência aos antimicrobianos e manter a sua utilidade no combate às infeções.

“Através desta estratégia conjunta foi já possível reduzir o uso de mais de 80% dos antibióticos com maior potencial para gerar bactérias multirresistentes”, sublinha o CHTS.

A cooperação entre os serviços consiste numa visita física semanal aos doentes internados com a discussão de casos clínicos à cabeceira do doente e num contacto permanente entre as duas equipas. Foram também revistos e atualizados os protocolos de tratamento e prevenção antibiótica cirúrgica de acordo com as mais recentes recomendações internacionais.

Citado na nota de imprensa, Joaquim Lindoro, diretor do Serviço de Urologia, garante que “a atualização dos critérios, rompendo com práticas anteriormente estabelecidas, permitiu também verificar uma melhoria franca nas infeções urológicas pós-operatórias, cerca de 70% nas infeções por agentes multirresistentes”.

“A utilização adequada de antibióticos já constituía uma prática do Serviço de Urologia, eram seguidas as práticas recomendadas em relação aos doentes cirúrgicos. No entanto, a atualização de critérios de acordo com as mais recentes recomendações internacionais foi primordial para a redução do uso de antibióticos de largo espectro, preservando, assim, a sua sensibilidade para que, em situações graves, estes antibióticos mais potentes possam ser usados com sucesso”, explica o especialista. 

Rogério Ruas, infeciologista, fala, mais especificamente, numa “redução de 36% dos carbapenemes e 84% das quinolonas, entre novembro de 2019 e dezembro de 2020”, salientando que “a diminuição do uso destes antibióticos é um indicador de qualidade, pois não só reduz as infeções hospitalares, como, a longo prazo, terá também impacto positivo na comunidade em relação à preservação da sensibilidade e utilidade dos antibióticos”.

“Os carbapenemes e as quinolonas são as duas classes de antibióticos com maior potencial de geração de resistências e como tal são classificados como ‘de uso restrito’ pela Direção-Geral da Saúde (DGS) que traçou metas ambiciosas para a redução destes antimicrobianos”, acrescenta Pedro Palma, também infeciologista.

Rita Ferraz, coordenadora da Unidade de Doenças Infeciosas, diz que “a relação próxima entre os dois Serviços, permite a discussão multidisciplinar e a tomada de decisões imediatas em prol da prestação de melhores cuidados aos doentes internados no Serviço de Urologia”.