• Julho 1, 2026

Polícia Judiciária deteve 23 pessoas em duas operações ligadas a burlas informáticas

Polícia Judiciária deteve 23 pessoas em duas operações ligadas a burlas informáticas

A Polícia Judiciária (PJ) deteve um total de 23 pessoas em duas operações distintas realizadas esta semana, no âmbito de investigações a redes suspeitas de branqueamento de capitais associados a burlas informáticas, associação criminosa e outros crimes económicos.

Numa das operações, conduzida pela Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica (UNC3T), foram detidas 11 pessoas suspeitas de integrarem uma organização criminosa que recorria à criação de sociedades de fachada para fazer circular fundos de origem ilícita através de contas bancárias nacionais e estrangeiras.

A investigação, iniciada no final de 2025, teve abrangência nacional e incluiu 22 buscas domiciliárias. Em causa está a alegada circulação de cerca de 50 milhões de euros, valor associado a esquemas de burla informática, incluindo o designado “CEO Fraud”, em que os autores se fazem passar por responsáveis de empresas para induzir transferências bancárias para contas sob o seu controlo.

No âmbito desta operação, foram apreendidos documentação e equipamentos informáticos relevantes para a investigação. Os 11 detidos — oito homens e três mulheres — irão ser presentes a primeiro interrogatório judicial. O inquérito é dirigido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Noutra operação, denominada “Jet Lag”, a Polícia Judiciária, através da Diretoria do Norte, deteve 12 homens suspeitos de integrarem uma rede transnacional ativa pelo menos desde 2021, com ramificações em vários países europeus, incluindo Portugal, França, Espanha e Bélgica.

Segundo a investigação, esta estrutura recorria a burlas informáticas, acesso ilegítimo a sistemas e falsidade informática, canalizando posteriormente os ganhos para circuitos de branqueamento de capitais através de uma rede de contas bancárias e sociedades artificiais.

A organização contava com um alegado líder, um cidadão português residente na Bélgica, que se deslocaria regularmente a Portugal para coordenar a fase de branqueamento. A rede incluía ainda elementos em território nacional e “money mules” recrutados para movimentar contas e dificultar o rastreio dos fundos.

Os fluxos financeiros terão sido dispersos por vários países europeus, incluindo Lituânia, Reino Unido, Alemanha, Espanha, Bélgica e Suécia, numa estratégia de fragmentação internacional destinada a dificultar a intervenção das autoridades.

Nesta operação foram apreendidas duas viaturas de alta gama, documentação e 19 contas bancárias. Estão ainda em investigação movimentos financeiros estimados em cerca de 17 milhões de euros, tendo sido identificados prejuízos na ordem dos 2,5 milhões de euros, sobretudo em sociedades estrangeiras.

Os 12 detidos, todos portugueses e com idades entre os 30 e os 60 anos, serão igualmente presentes a interrogatório judicial.

As autoridades sublinham que ambas as investigações prosseguem, com o objetivo de identificar outros envolvidos e consolidar a extensão total das redes agora desmanteladas, num contexto de crescente complexidade do cibercrime financeiro e do branqueamento de capitais a nível internacional.