• Agosto 2, 2025

Polémica entre Vilela e Sobrosa por redefinição de limites dos territórios gera tensão e acusações mútuas

Polémica entre Vilela e Sobrosa por redefinição de limites dos territórios gera tensão e acusações mútuas

A redefinição dos limites administrativos entre as freguesias de Vilela e Sobrosa, no concelho de Paredes, está no centro de uma crescente polémica que envolve acusações de desinformação, alegadas traições institucionais e um forte impacto na vida de centenas de moradores. A controvérsia teve origem numa atualização da Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), feita pela Direção-Geral do Território em 2001, que alterou tecnicamente os contornos territoriais sem consulta prévia às populações locais.

Como consequência direta, cerca de 10 ruas que sempre foram consideradas parte de Sobrosa passaram a constar, no papel, como território da freguesia de Vilela. A mudança obriga os residentes afetados a proceder a atualizações em documentos oficiais, como o cartão de cidadão, registos escolares, médicos e bancários, sem nunca terem mudado de morada — o que está a gerar revolta e sentimento de injustiça.

A Junta de Freguesia de Sobrosa acusa a sua congénere de Vilela, liderada por Mariana Machado da Silva (que é também presidente do PSD/Paredes e candidata a vereadora pela AD) , de bloquear uma solução administrativa para o problema, apesar de inicialmente ter demonstrado abertura para resolver a questão. Segundo os representantes de Sobrosa, houve mesmo uma reunião no escritório da presidente de Vilela, em Paços de Ferreira, onde foi prometida colaboração, que nunca se concretizou. A situação foi descrita como uma “traição institucional”.

Em resposta, a Junta de Vilela emitiu um comunicado oficial onde nega qualquer responsabilidade nas alterações territoriais, frisando que o processo foi conduzido exclusivamente pela DGT e que a própria freguesia de Vilela também perdeu território nessa atualização. A autarquia afirma ainda que apenas tem cumprido determinações da Câmara Municipal de Paredes, nomeadamente quanto à atribuição de nomes a arruamentos agora oficialmente sob sua jurisdição.

A Junta de Vilela defende que qualquer tentativa de correção deve ser feita por via judicial e lamenta o que considera ser um aproveitamento político do tema em ano de eleições autárquicas. Garante, ainda assim, estar disponível para participar numa sessão pública de esclarecimento.

A polémica, que já chegou às assembleias de freguesia, continua a alimentar tensões entre comunidades vizinhas, que durante décadas conviveram pacificamente e agora se veem separadas por uma linha traçada numa carta administrativa.