- Dezembro 5, 2025
Museu Amadeo Souza-Cardoso, em Amarante, reabre hoje requalificado com novas exposições do patrono Amadeo e Nadir Afonso
O Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso (MMASC), em Amarante, reabre esta sexta-feira, ao final da tarde, 18 horas, ao público após um processo de requalificação profunda que devolveu ao espaço novas condições de conforto, segurança e preservação patrimonial. O investimento, na ordem dos 300 mil euros, permitiu melhorar a climatização, substituir pavimentos e recuperar paredes, garantindo um ambiente mais adequado à conservação das obras e uma experiência mais agradável para os visitantes.
Para o presidente da Câmara de Amarante, Jorge Ricardo, esta intervenção era “essencial para continuar a garantir parcerias e afirmar o museu como referência não só regional, mas nacional e internacional”. O autarca sublinha que o espaço “ganhou condições de comodidade, conforto e qualidade”, lembrando que o museu é motivo de orgulho para os amarantinos e um polo relevante de atração turística e cultural.

A requalificação, que se prolongou por dez meses, responde às exigências de um museu que recebe visitantes de várias partes do mundo: “Há dias tivemos aqui alguém vindo de França que lamentou não poder visitar o museu. Agora, com as portas abertas, podemos acolher todos”, afirmou.
“A Marginália de Amadeo”: uma viagem inédita à infância do artista
A reabertura é marcada pela exposição “A Marginália de Amadeo”, com curadoria de Samuel Silva, que reúne pela primeira vez desenhos de infância e juventude de Amadeo de Souza-Cardoso. O conjunto inclui esboços, exercícios escolares e notas gráficas preservadas pela família na casa de Manhufe, revelando um lado íntimo e menos conhecido do artista.

Para o curador, este espólio permite “inaugurar um novo estado de atenção à obra de Amadeo”, aproximando o público da sua sensibilidade e dos seus primeiros gestos criativos. A exposição, itinerante, já passou por Foz Côa e seguirá para Lisboa e Óbidos, tendo em Amarante um significado especial por se apresentar na terra natal do pintor.
“Nadir Afonso: Território de Absoluta Liberdade” percorre 75 anos de criação
Em paralelo, o MMASC apresenta “Nadir Afonso: Território de Absoluta Liberdade”, comissariada por Alexandra Silvano, que reúne obras representativas das principais fases do artista. Da geometria ao período barroco, passando pelo egípcio, ogival e fractal, a mostra evidencia o rigor, a harmonia e a busca constante pela perfeição formal que marcaram a sua carreira.

A exposição integra também uma obra premiada em 1968 no Memorial Sousa-Cardoso, reforçando o diálogo entre o legado de Nadir Afonso e a história do próprio museu. Pensada igualmente para a comunidade educativa, oferece uma visão abrangente da diversidade criativa do artista, estando patente até ao final de janeiro.
O MMASC inicia, assim, um novo ciclo, combinando melhores condições de acolhimento com exposições que aprofundam e celebram dois nomes maiores da arte portuguesa.