- Setembro 24, 2026
Marcha lenta contra subida dos combustíveis parte de Lordelo
Caravana de camiões parte de Lordelo, amanhã, sexta-feira e deverá seguir pela A42, A41 e A1 até Coimbra. Movimento garante já 300 adesões e aponta para mais de 500 participantes. Encher um depósito já custa mais 35 euros do que no início do ano.
Texto | António Orlando
Empresários ligados à extração de materiais, terraplanagem, escavação e transporte de terras e inertes vão levar para a estrada, esta sexta-feira, um protesto contra a subida dos preços dos combustíveis. A marcha lenta de camiões terá partida em Lordelo, Paredes, e seguirá até Coimbra, num percurso que deverá mobilizar pelo menos 300 empresas e poderá chegar às 500.
A concentração está prevista para as 8:00, junto à entrada da A42, em Lordelo. A caravana seguirá pela A42 e A41, no sentido Norte-Sul, entrando depois na A1 até à saída de Coimbra Sul, onde deverá chegar por volta das 13:00.
O movimento está a ser organizado por um grupo de empresários que se reuniu pela primeira vez na passada sexta-feira, em Paredes. Segundo Miguel Machado Mendes, advogado que representa os promotores, a adesão poderá aumentar nos próximos dias. O responsável admite ainda a participação de empresários do Sul do país, que poderão organizar uma marcha lenta entre o Carregado, em Alenquer, e Coimbra.
Gasóleo já ultrapassa os dois euros
O protesto surge num contexto de forte aumento dos custos de exploração das empresas, com particular impacto no preço do gasóleo. Os empresários afirmam que, desde 27 de fevereiro, o preço passou de 1,59 para 2,22 euros por litro.
O combustível representa, segundo os promotores, cerca de 70% dos custos de produção das empresas abrangidas pelo movimento. Os empresários consideram, por isso, que estão a suportar um aumento de custos que deixou de ser compatível com os preços definidos nos contratos em vigor.
“Muitas empresas estão a executar contratos com preços e serviços acordados antes desta escalada dos custos”, sustentam, num comunicado conjunto.
Os empresários dizem ter absorvido sucessivos aumentos das despesas de operação, mas alertam que essa capacidade “tem limites”.
Empresários reclamam apoios
Além da subida dos combustíveis, o movimento contesta a ausência de medidas de apoio específicas para estes setores. Miguel Machado Mendes afirma que os empresários se sentem “discriminados” por não terem beneficiado de apoios desde o início da escalada dos preços.
A marcha lenta deverá ser, para já, a principal ação pública organizada por um setor empresarial em reação à subida dos combustíveis. Outros setores estão, contudo, a avaliar iniciativas semelhantes.
A ARAN, associação que representa empresas das áreas da transformação de veículos, carroçarias e reboques, estará também a ponderar a realização de ações de protesto.