- Setembro 28, 2026
Madeira e mobiliário ganham casa no Mosteiro de Vilela
Museu abre-se esta terça-feira, 29 de setembro, à comunidade antes da inauguração oficial, marcada para outubro. Projeto de três milhões de euros transforma antigo mosteiro num espaço dedicado à memória e ao futuro de uma das principais indústrias de Paredes.
Texto | António Orlando
A história de Paredes ligada à madeira e ao mobiliário vai ganhar, a partir de outubro, um espaço permanente de preservação e divulgação. O Museu do Mobiliário, instalado no antigo Mosteiro de Vilela, recebe na terça-feira, 29 de setembro, às 18:00, uma visita experimental aberta à comunidade, integrada na III Bienal Internacional das Artes em Madeira de Paredes (BIAMP). 
Mais do que reunir móveis antigos, o novo equipamento municipal pretende explicar como a madeira se transforma em produto, conhecimento e identidade económica. O percurso expositivo acompanha as diferentes etapas de produção, desde a seleção da matéria-prima à criação das peças, cruzando técnicas tradicionais, design e inovação.
O museu será o primeiro equipamento museológico municipal de Paredes e ocupa um edifício cuja história remonta ao século X. Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 2013, o Mosteiro de Vilela foi adaptado às novas funções sem perder as principais características arquitetónicas.
O acervo inclui peças de mobiliário e ferramentas doadas ao projeto, depois sujeitas a processos de estudo e classificação. Entre os conteúdos encontram-se também móveis e cadeiras de autor e testemunhos digitais de empresas e empresários que ajudaram a construir a ligação de Paredes à indústria da madeira.
A experiência não ficará limitada à exposição permanente. O equipamento dispõe de espaços para exposições temporárias, auditório e uma área destinada a demonstrações de técnicas de transformação da madeira, incluindo a talha. Integra ainda uma incubadora de design e áreas de restauração e apoio.
A componente pedagógica será outra das apostas do museu, com propostas dirigidas a crianças, famílias e outros visitantes. Através de atividades práticas e interativas, será possível conhecer a evolução das técnicas, dos materiais e do design associados ao mobiliário.
Turismo industrial
A nova valência cultural insere-se numa estratégia mais ampla de valorização do património industrial de Paredes. O Museu do Mobiliário passa a integrar a Rede Portuguesa de Turismo Industrial, reforçando a aposta na transformação da memória empresarial do concelho num recurso cultural e turístico.
A intervenção no Mosteiro de Vilela é da autoria dos arquitetos Rui Dinis e Henrique Marques, do atelier Spaceworkers, sediado em Paredes. O investimento ronda os três milhões de euros, dos quais dois milhões têm financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Para o presidente da Câmara, Alexandre Almeida, o museu permitirá “preservar e dar a conhecer a história da talha, da madeira e do mobiliário, colocando esse património à disposição tanto da população como de quem visita o concelho”.
A abertura oficial está prevista para outubro e contará com o Alto Patrocínio do Presidente da República, concedido em setembro.