• Julho 27, 2026

José Luís Carneiro escolhe Paredes para atacar política fiscal sobre combustíveis

José Luís Carneiro escolhe Paredes para atacar política fiscal sobre combustíveis

Líder do PS esteve em Paredes, onde abasteceu uma viatura e ouviu empresários dos transportes e um taxista, defendendo medidas para aliviar os custos das famílias e das empresas.

José Luís Carneiro deslocou-se esta segunda-feira a Paredes para centrar críticas na política fiscal do Governo sobre os combustíveis, defendendo uma redução temporária da carga tributária e acusando o Executivo de estar a aumentar a receita do Estado à custa das famílias e das empresas.

A ação decorreu num posto de abastecimento do concelho, onde o secretário-geral do PS abasteceu uma viatura com 50 euros de combustível antes de conversar com profissionais diretamente afetados pela subida dos preços, entre eles um empresário de transportes internacionais e um taxista.

O dirigente socialista sustentou que o agravamento do preço pago pelos consumidores resulta não apenas da evolução dos mercados internacionais, mas também da redução progressiva dos descontos no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), decisão que atribuiu ao Governo.

“O Governo continua a arrecadar receita com o aumento dos impostos sobre os combustíveis enquanto famílias e empresas suportam custos cada vez mais elevados”, afirmou.

José Luís Carneiro referiu que, entre 2024 e 2025, o Estado arrecadou mais de 1.048 milhões de euros em receitas adicionais relacionadas com esta política fiscal e defendeu que os portugueses pagam atualmente cerca de mais nove cêntimos por litro de gasóleo e mais seis cêntimos por litro de gasolina devido à redução dos descontos no ISP.

Nesse contexto, voltou a defender as propostas apresentadas pelo PS na Assembleia da República para reduzir temporariamente o IVA dos combustíveis, da eletricidade e de um conjunto de bens alimentares essenciais, acusando a maioria parlamentar de ter rejeitado essas medidas.

“Não conseguimos passar os custos para os clientes”

Durante a visita, José Barbosa, empresário de transportes internacionais, descreveu o impacto da subida dos combustíveis na atividade da empresa, que emprega 65 motoristas.

Segundo explicou, o combustível representa cerca de 45% dos custos operacionais, sem que exista margem para repercutir esse aumento nos clientes.

“Os clientes não aceitam aumentos porque já venderam os produtos. Nós temos de continuar a trabalhar com os preços que existem”, afirmou.

O empresário acrescentou que a empresa está igualmente a investir na renovação da frota para cumprir as exigências ambientais, referindo investimentos elevados na aquisição de novos veículos pesados.

Também Manuel Matas, taxista em Paredes, afirmou que o setor enfrenta dificuldades crescentes, sublinhando que as tarifas são reguladas e impedem qualquer compensação do aumento dos custos com combustível.

“O taxímetro não permite alterar os preços. Temos de suportar esse aumento”, disse.

Para José Luís Carneiro, estes testemunhos demonstram que o aumento da carga fiscal está a retirar competitividade às empresas portuguesas e a agravar o custo de vida.

Educação também entrou no debate

A deslocação a Paredes ficou ainda marcada por um contacto com uma estudante que continua sem conhecer a classificação do exame nacional de Português, situação que, segundo o líder socialista, poderá comprometer o acesso ao ensino superior.

José Luís Carneiro voltou a acusar o Ministério da Educação de ter gerido de forma “irresponsável” o processo de digitalização dos exames e reiterou que o PS defendeu o prolongamento do prazo de candidatura ao ensino superior para evitar desigualdades entre candidatos.

“O que está em causa é a igualdade de oportunidades. Há jovens que foram prejudicados e isso já não pode ser totalmente corrigido”, afirmou.

Apesar das perguntas dos jornalistas sobre outros temas da atualidade política, o secretário-geral do PS recusou comentar processos em curso, insistindo que a iniciativa em Paredes teve como objetivo chamar a atenção para o aumento dos combustíveis e para o impacto que este está a ter na economia das famílias e das empresas.