• Junho 25, 2026

Dois sismos devastadores abalam Venezuela. USGS admite cenário de dezenas de milhares de vítimas

Dois sismos devastadores abalam Venezuela. USGS admite cenário de dezenas de milhares de vítimas

Dois fortes sismos atingiram esta quarta-feira a Venezuela, provocando destruição significativa em várias regiões do país e desencadeando operações de emergência numa escala sem precedentes. Os abalos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram com apenas um minuto de intervalo e foram sentidos em grande parte do território venezuelano e também em zonas da Colômbia. O Governo português indica que há pelo menos 5 portugueses desaparecidos. A informação foi prestada, cerca das 13:30 horas desta quinta-feira, pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. 

O primeiro tremor registou-se às 18:04 locais (23:04 em Portugal Continental), com epicentro a cerca de 21 quilómetros a leste de Morón e a uma profundidade de apenas 10 quilómetros. Sessenta segundos depois, um segundo sismo, ainda mais intenso, voltou a sacudir o país, agravando os danos e aumentando o pânico entre a população.

As primeiras informações apontam para o colapso de vários edifícios em Caracas. O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, confirmou à televisão estatal que equipas de emergência estão mobilizadas em diferents pontos da capital, onde foram registados desabamentos e danos estruturais significativos

Entre as zonas mais afetadas encontram-se Palos Grandes e Altamira, bairros da capital onde as autoridades relatam situações consideradas particularmente graves. Em Altamira, um edifício terá ruído por completo, segundo informações avançadas pelas autoridades venezuelanas.

Nas ruas de Caracas, milhares de pessoas abandonaram habitações, escritórios e espaços comerciais, procurando refúgio em áreas abertas perante o receio de novos abalos. Testemunhos recolhidos por jornalistas internacionais descrevem cenas de correria, congestionamento das vias e forte inquietação entre a população.

A dimensão potencial da tragédia levou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) a emitir uma avaliação preliminar extremamente preocupante. A agência considera provável a ocorrência de danos extensos e um elevado número de vítimas, admitindo que o balanço final possa situar-se entre 10 mil e 100 mil mortos, caso se confirmem os cenários mais severos de impacto sobre áreas urbanas densamente povoadas.

Face ao risco de réplicas, Diosdado Cabello apelou à população para evitar o regresso às habitações. “Não fiquem em casa”, alertou o governante, sublinhando que a situação permanece instável e que novos abalos poderão ocorrer nas próximas horas.

A Venezuela encontra-se numa zona de interação entre as placas tectónicas das Caraíbas e da América do Sul, uma região sujeita a atividade sísmica regular. Ainda assim, os dois sismos registados esta quarta-feira figuram entre os mais fortes das últimas décadas no país e poderão representar uma das maiores catástrofes naturais da sua história recente.