- Janeiro 18, 2026
Corrida a Belém segue para duelo Seguro–Ventura
António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 8 de fevereiro, num cenário inédito nas últimas quatro décadas. Pela primeira vez em 40 anos, nenhum candidato conseguiu garantir a eleição à primeira volta, numa das presidenciais mais fragmentadas e competitivas da história recente da democracia portuguesa.
António José Seguro venceu a primeira volta com 31,13% dos votos, um resultado que superou todas as previsões das sondagens. André Ventura ficou em segundo lugar, com 23,52%, assegurando a passagem à segunda volta apesar de manter elevados níveis de rejeição junto de uma parte significativa do eleitorado.
A aritmética eleitoral coloca, no entanto, desafios claros ao antigo secretário-geral do PS. Mesmo somando os votos dos candidatos à esquerda que já anunciaram apoio a Seguro — Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto — o total fica aquém dos 50% mais um voto necessários para vencer. A esquerda, no seu conjunto, não dispõe de votos suficientes para garantir a eleição na segunda volta.
Do outro lado, o eleitorado do centro-direita surge como decisivo. Rui Rio não concorreu, e tanto João Cotrim de Figueiredo como Marques Mendes recusaram apoiar formalmente qualquer um dos candidatos, posição partilhada por Luís Montenegro e pelo PSD. Esta neutralidade abre uma disputa direta entre Seguro e Ventura por um segmento do eleitorado tradicionalmente moderado e determinante.
Para António José Seguro, a estratégia passa inevitavelmente por alargar a base de apoio ao centro e à direita democrática, procurando captar eleitores avessos ao discurso e às posições de André Ventura. Uma eventual tomada de posição do almirante Henrique Gouveia e Melo, ainda em aberto, poderá também influenciar o desfecho da corrida presidencial.
A campanha para a segunda volta arranca agora num clima de elevada polarização, com dois projetos políticos antagónicos a disputar voto a voto um eleitorado fragmentado e decisivo para o futuro da Presidência da República.