CDS está contra a exploração mineira no concelho de Paredes

Publicado em Publicado por: O Paredense

O CDS-PP Paredes está contra o pedido de exploração de exploração de depósitos minerais de ouro, prata, cobre, chumbo, zinco, estanho, tungsténio e minerais associados, denominado “BANJAS”, feito pela empresa “Beralt Tin and Wolfram (Portugal), S. A., que abrange uma área de 1185,475 hectares relativa aos concelhos de Gondomar, Paredes e Penafiel.

Em comunicado, o vice-presidente da concelhia de Paredes do CDS, Jorge Ribeiro da Silva, defende que, a acontecer, a celebração deste contrato constituirá um “ato absolutamente catastrófico, para não dizer criminoso contra o meio-ambiente”.

“Em poucas palavras, essa exploração iria destruir as reservas de água e tornar o solo poluído num raio de vários kms. A extração de ouro em Recarei, por exemplo, num ppm de 0.08 (8 gramas por tonelada, tem que ser mecânico para remoção de rocha e químico com a lexiviação, o que implica a utilização de ácidos muito fortes, e havendo um enorme risco de acidentes a fuga de fluidos tóxicos seria por si só terrível para as reservas de água, e arruinar os campos e a qualidade da água num vasto raio territorial”, frisou.

A referida empresa, obteve licença para o mesmo procedimento nas minas da panasqueira, o que, para Jorge Ribeiro da Silva “deve ser olhado como um exemplo a não seguir”.

A câmara de Paredes já tinha emitido um parecer prévio desfavorável à pretensão da empresa. O CDS mostrou-se satisfeito com a posição da autarquia, prometendo “continuar a acompanhar este processo, de forma atenta e responsável, tudo fazer para que não seja licenciado”.

O parecer negativo da autarquia foi fundamentado com o facto de não ter sido facultado qualquer estudo de impacto ambiental e de a prospeção apontar para “um local de reconhecido interesse arqueológico, pelos vestígios que tem dessa exploração romana, que ““fica em pleno Parque das Serras do Porto”, onde existe um projeto de aproveitamento do território “do ponto de vista lúdico e ambiental”.

“Muitos dos trilhos do Parque das Serras do Porto que passam pelo concelho de Paredes passam nessa zona, que é também uma área com um grande interesse biológico em termos de espécies que lá existem. Além disso não nos foi dada qualquer informação sobre como seria feito o tratamento das águas que seriam extraídas da mina nem sobre a gestão dos resíduos resultantes da exploração”, reforçou o presidente da câmara de Paredes na última reunião do executivo.

A Associação de Municípios do Parque das Serras do Porto também já confirmou estar a analisar o processo relativo à requisição da Beralt Tin and Wolfram (Portugal) S.A., para exploração de minerais de ouro, prata, cobre, chumbo, zinco, estanho, tungsténio e minerais associados, num território denominado “Banjas”, localizado nos concelhos de Gondomar, Paredes e Penafiel, de modo a emitir um parecer qualificado sobre a matéria.

Em comunicado, a Associação de Municípios do Parque das Serras do Porto esclareceu que “não foi contactada previamente pela Direção-geral de Energia e Geologia” sobre o assunto e recordou que aquela Paisagem Protegida Regional constitui uma “importantíssima infraestrutura verde na densamente urbanizada Área Metropolitana do Porto” e que as serras e vales são “indissociáveis da dinâmica e identidade do território” e têm “um enorme passado geológico e riquíssimo património arqueológico, com a presença de espécies raras de fauna e flora”.