• Abril 25, 2026

Autarca de Paredes denuncia “campanhas difamatórias” nas comemorações do 25 de Abril

Autarca de Paredes denuncia “campanhas difamatórias” nas comemorações do 25 de Abril

O presidente da Câmara de Paredes denunciou este sábado a existência de “ataques ignóbeis” e campanhas difamatórias no contexto político local, durante a sessão solene evocativa dos 52 anos do 25 de Abril, marcada também por alertas à desinformação e apelos à defesa da democracia.


A cerimónia oficial do 25 de Abril no concelho de Paredes decorreu este sábado de manhã, no Grande Auditório do Centro Cultural de Paredes, reunindo autarcas, representantes partidários e população numa sessão marcada por discursos políticos e reflexão sobre o estado da democracia.

O momento mais marcante da sessão surgiu no discurso de encerramento do presidente da Câmara Municipal, Alexandre Almeida, que denunciou o recurso a práticas que classificou como atentatórias à dignidade democrática.

“Na última campanha eleitoral do nosso concelho assistimos à utilização de métodos populistas, baseados em mentiras e histórias inventadas”, afirmou, acrescentando: “Eu próprio fui vítima de ataques ignóbeis que jamais imaginei que pudessem acontecer”.

O autarca sublinhou que estas situações não devem ser normalizadas, defendendo que “estes métodos têm de ser combatidos por todos os democratas” e manifestando confiança na justiça para reposição da verdade.

Apesar do tom crítico, Alexandre Almeida destacou o percurso de desenvolvimento do país após a Revolução de Abril, considerando que “o 25 de Abril abriu as portas a um desenvolvimento humano, social e económico sem precedentes na história de Portugal”, apontando melhorias significativas em áreas como educação, saúde e infraestruturas.

Ainda assim, reconheceu que “continuamos a ter muitos problemas à espera de solução”, nomeadamente nas áreas da habitação, saúde e desigualdades sociais.

Antes, o presidente da Assembleia Municipal, Elias Barros, centrou a sua intervenção nos desafios contemporâneos da democracia, alertando para riscos emergentes. “O progresso, por si só, não garante liberdade”, afirmou, referindo “ameaças silenciosas como a desinformação, a manipulação e o populismo”.

Elias Barros defendeu que “a democracia exige vigilância, participação e pensamento crítico”, destacando ainda o papel das novas gerações e da tecnologia: “A liberdade defende-se também no espaço digital, na forma como comunicamos e escolhemos em quem confiar”.

Ao longo da sessão, os representantes dos partidos com assento na Assembleia Municipal apresentaram diferentes leituras sobre o legado de Abril.

Emanuel Oliveira, do Chega, afirmou que “o 25 de Abril pertence a todos os portugueses” e questionou se o país está “a honrar verdadeiramente o espírito de Abril”, apontando problemas como a dificuldade no acesso à habitação e a insegurança.

Artur Mesquita, do CDS, defendeu que “a liberdade constrói-se, afirma-se e defende-se todos os dias”, enquanto Ricardo Santos, do PSD, alertou para ameaças internas ao regime democrático, considerando que “a corrupção e o populismo são dos maiores inimigos da democracia”.

Por sua vez, Rui Fernandes Silva, do PS, destacou que “os direitos conquistados não estão garantidos” e alertou para “o crescimento de movimentos extremistas que colocam em causa a democracia e as suas conquistas”.

A sessão integrou ainda um momento musical protagonizado por Pedro Branco e teve como objetivo evocar os valores da Revolução dos Cravos, num contexto de reflexão sobre os desafios atuais e futuros da liberdade e da democracia.