- Setembro 20, 2025
Água, IRS e refeições escolares marcam debate autárquico em Paredes
O canal Conta Lá transmitiu este sábado um debate autárquico entre os candidatos à Câmara Municipal de Paredes, nas eleições de 12 de outubro, que juntou em confronto direto Alexandre Almeida (PS), atual presidente que procura um terceiro mandato, Mário Rocha (coligação PSD/CDS-PP), antigo vice-presidente da autarquia, e Manuel Pinho (Juntos por Paredes – JPP). O debate foi dominado pelo tema da gestão da água e saneamento, mas também trouxe para a mesa as questões da mobilidade, das obras prioritárias, das refeições escolares gratuitas e da devolução do IRS, revelando divisões profundas entre os candidatos.
Na questão da água, Alexandre Almeida defendeu o “resgate da concessão realizado em 2023″, que considerou “a única solução possível” para garantir o acesso a fundos comunitários, corrigindo dessa forma a o erro do PSD que vendeu aos privados a concessão de serviço omitindo à empresa que na zona sul do concelho existem cooperativas e juntas de freguesia que fazem a distribuição de água. “Ora a concessionária perante esse problema deixou de fazer investimentos nas redes de água e saneamento o que deixou o concelho neste estado”. O socialista prometeu concluir no próximo mandato a cobertura nas principais zonas populacionais e industriais do concelho Já Mário Rocha acusou o executivo de ter “gasto 22 milhões de euros sem resolver o problema”, quando, no seu entender, poderia ter avançado para uma rescisão judicial do contrato que havia sido feito pelo executivo do seu partido. O social-democrata prometeu ainda envolver o Governo no financiamento do investimento necessário. Por sua vez, Manuel Pinho responsabilizou tanto PS como PSD pelo que designou como “mau negócio da água”, afirmando que o concelho ficou “hipotecado em perto de 120 milhões de euros” e exigindo maior rigor e transparência na gestão.
A mobilidade foi outro tema de confronto. Almeida destacou os avanços alcançados com a implementação da rede UNIR, que, segundo o atual presidente, já representa uma melhoria para a população. “Agora há que certar com a concessionária as ligações às zonas industriais e corrigir uma ou outra ligação”. Rocha também defendeu que é preciso reforçar linhas e horários adaptados aos turnos industriais, de modo a responder às necessidades dos trabalhadores. Pinho, por sua vez, exigiu a elaboração de um plano de mobilidade sustentável, criticando a ausência de medidas estruturantes por parte do executivo.
Relativamente às “obras prioritárias”, os candidatos divergiram. O socialista destacou a “requalificação e expansão das zonas industriais” como motor do desenvolvimento económico local. “É preciso criar condições para que os paredenses e quem nos procura para viver e trabalhar tenham emprego”, justificou. O candidato da coligação apontou para a “recuperação de ruas e passeios” em todo o concelho, sublinhando a importância de melhorar a qualidade do espaço público. Já o candidato do JPP defendeu a construção de uma “Casa das Artes junto às escolas”, que complementaria a oferta cultural do Centro Cultural já existente.
Entre os temas sociais, destaque para as refeições escolares gratuitas. Alexandre Almeida anunciou que, a partir do atual ano letivo, todas as refeições passam a ser gratuitas para os alunos do concelho, medida financiada pela autarquia. Garantiu ainda que a qualidade “não será afetada”, por estar sujeita a concursos públicos e ao acompanhamento de nutricionistas, classificando a decisão como um “investimento social para as famílias”. “Avançamos agora com a medida porque foi agora que começou o ano letivo”, argumentou. Contudo, Mário Rocha reivindicou a autoria da proposta e acusou Almeida de só a implementar “em ano eleitoral”. O candidato da coligação questionou ainda a qualidade atual das refeições e defendeu que estas deveriam ser “confecionadas nas próprias escolas”, com maior proximidade e acompanhamento. Já Manuel Pinho manifestou preocupação com a “sustentabilidade financeira” da medida, afirmando que a Câmara não pode “dar presentes de Natal que depois saem caros a todos os contribuintes” e defendeu que a prioridade deveria ser a “melhoria da qualidade alimentar”.
Outro momento de divergência surgiu em torno do IRS. Mário Rocha defendeu a devolução de “5% da taxa de IRS” aos munícipes, o valor máximo permitido por lei, sublinhando que tal tornaria Paredes o único concelho do distrito do Porto a aplicar esta redução. Apesar do impacto estimado de “3,1 milhões de euros anuais de perda nas receitas municipais”, Rocha defendeu que a medida traria “mais justiça fiscal” aos paredenses, aproximando-os das condições existentes em Lisboa e Porto. Alexandre Almeida, no entanto, rejeitou a proposta, considerando que a descida comprometeria os investimentos previstos no âmbito do “Portugal 2030”, sobretudo em áreas como habitação, lares e creches. Acrescentou ainda que a medida beneficiaria essencialmente os “rendimentos mais altos”, sem impacto significativo para as famílias de baixos rendimentos. Já Manuel Pinho apresentou uma solução intermédia, propondo uma redução de “3% no IRS,” canalizando parte da receita para “bolsas de estudo dirigidas aos jovens do concelho”.
Nas declarações finais, os três candidatos procuraram vincar as suas mensagens políticas. Alexandre Almeida pediu a “confiança dos eleitores para dar continuidade ao trabalho iniciado em 2017, que, aliás, foi defendido pelos dois adversário no debate: dar continuidade”, fez notar. Mário Rocha comprometeu-se com a “redução da fatura da água” e a devolução de “5% do IRS”. Já Manuel Pinho apelou a uma “mudança feita com a alma dos paredenses, sem máquinas partidárias”, reforçando o seu posicionamento como alternativa independente aos grandes partidos.