Vereadores do PS votam contra as contas de 2016

Publicado em Publicado por: O Paredense
Foto: Arquivo

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Os vereadores do Partido Socialista votaram contra as contas de 2016 que foram ontem apresentadas na reunião do executivo municipal e justificaram a decisão com o facto de “estas continuarem a revelar a falta de rigor e descontrolo que tem caracterizado a gestão deste executivo”.

Em comunicado o Secretariado do PS/Paredes explica as razões que motivaram este chumbo, apontando em primeiro lugar que “a câmara de Paredes aumentou o resultado negativo, de 3.032.576 euros em 2015 para 8.415.156,13 euros em 2016”. Os socialistas garantem ainda que o passivo da câmara de Paredes voltou a aumentar em cerca de 2 milhões de euros, passando dos 100.913.274,45 euros em 2015 para 102.152.345,62 euros em 2016 e que “a execução orçamental voltou a ser muito baixa, apenas de 67,5%”.

“Revela uma vez mais a apresentação de orçamentos irrealistas e desajustados da realidade. Retirando das receitas o valor do empréstimo de saneamento financeiro contraído em 2016, no valor de 9,8 milhões de euros, a execução orçamental foi de 42,7 milhões de euros num orçamento de 63,3 milhões, o que representa uma execução orçamental de apenas 67,5%”, lê-se no comunicado.

Os vereadores do PS acrescentam ainda que o corolário desta “falta de rigor e descontrolo que tem caracterizado a gestão deste executivo” é a provisão que a câmara de Paredes foi obrigada a fazer nas contas de 2016 por causa das irregularidades detetadas com a construção dos Centros Escolares e que podem obrigar a câmara a devolver cerca de 6 milhões de euros.

Os vereadores do PS acusam ainda o executivo liderado por Celso Ferreira de continuar a esconder dos vereadores, dos deputados municipais e da população de Paredes, os relatórios das inspeções que a câmara de Paredes está a ser alvo no âmbito deste processo.

“O executivo da câmara de Paredes continua a esconder os relatórios das inspeções de que está a ser alvo, mas as contas põem a descoberto o resultado da sua má gestão e a eminência de ter de devolver 6 milhões de euros de fundos comunitários”, sublinham os socialistas.

Recorde-se que em janeiro foi tornado público um relatório do Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF) que apontava “graves irregularidades” nos contratos de adjudicação relativos a quatro centros escolares, Duas Igrejas, Recarei, Sobrosa e Vilela. Em causa, segundo o OLAF, estão “suspeitas de viciação na construção de empreitadas, falsificação, corrupção e fraude com milhões da União Europeia atribuídos à câmara de Paredes para a construção destas escolas”. O relatório final do OLAF foi remetido à Inspeção Geral das Finanças e ao Tribunal de Contas e levou também à abertura de um inquérito crime no Ministério Público.

A autarquia não aceitou as conclusões deste relatório e já as contestou judicialmente, estando neste momento a aguardar a conclusão do processo.

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