Trabalhadores da Sousacamp não aceitam rescisões amigáveis

Publicado em Publicado por: O Paredense

Trabalhadores da fábrica de Paredes agendaram uma greve para dia 30, em que se realiza a assembleia de credores que deverá aprovar o plano de recuperação da empresa.

O grupo Sousacamp vai mesmo encerrar a sua unidade industrial instalada na Madalena, Paredes e concentrar a produção nas unidades de Vila Flor e Vila Real. Cerca de 50 trabalhadores já receberam propostas de rescisão amigável.

“O que nos estão a oferecer é um valor muito abaixo da lei. Não é aceitável. Se a empresa não tem trabalho, tem de nos despedir. Só estamos a pedir aquilo que a que temos direito”, defendeu Ana Lígia, trabalhadora da empresa há 6 anos.

“Foi-nos garantido que, depois do perdão de dívida, os postos de trabalho ficariam assegurados e, agora, fazem totalmente o contrário”, lamentou também Carla Moreira, que está há 10 anos na empresa,

Os trabalhadores assumem, ainda, a tentativa de segregação de alguns funcionários, sobretudo mais velhos e com mais anos de “casa”, retirando-os dos seus sectores para colocar outros mais novos.

“Não é justo. Essas senhoras agora vão para casa e quem é que lhes dá emprego com essa idade? São novas para ir para a reforma e velhas para iniciar outro posto de trabalho. Com este clima não dá para trabalhar”, garantiu Cristiana Barbosa.

A Sousacamp é a maior produtora portuguesa de cogumelos e emprega cerca de 450 trabalhadores nas unidades de Paredes, Vila Flor e Vila Real.

Ao todo, a proposta de rescisão abrange cerca de 100 trabalhadores da unidade de Paredes, que vai encerrar os setores de colheita e produção, mantendo as áreas do embalamento e expedição.

No âmbito do processo de insolvência, em curso há mais de um ano, a principal empresa do grupo recebeu um perdão de dois terços da dívida de 60 milhões de euros e o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação (SINTAB) considera que não há razões para não manter os postos de trabalho.

A notícia completa na edição em papel de 23 de janeiro de 2020 ou na edição online.

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