“Temos investimentos para os próximos dois anos, mas mantemos a intenção de conter o passivo”

Publicado em Publicado por: O Paredense

A meio do mandato o presidente da Câmara de Paredes, Alexandre Almeida, aceitou dar uma entrevista ao PAREDENSE para fazer um balanço dos dois anos à frente do município e falar dos projetos que vão avançar na segunda metade do mandato.

Além dos grandes projetos anunciados para a cidade sede do concelho, a Câmara pretende obra em todas as freguesias. Alexandre Almeida diz que o seu executivo vai colocar um ponto final no diferendo com a Bewater e avançar definitivamente com o saneamento no sul do concelho.

 

O que mudou em Paredes e na vida de Alexandre Almeida nos últimos dois anos?

Na minha vida mudaram as rotinas ligadas a uma atividade de Revisor Oficial de Contas, que tive de abandonar, para estar com total dedicação na câmara municipal. Tenho agora uma atividade mais abrangente no sentido do desenvolvimento do concelho, acompanhando não só o tecido empresarial, como os problemas sociais, as escolas e todas as infraestruturas do concelho.

Sobre a mudança no concelho, posso dizer, desde logo, o que mudou na câmara. Somos um executivo muito mais rigoroso. Já começamos a controlar o endividamento da câmara e temos planeado e executado todos os investimentos de forma faseada e ponderada.

O primeiro ano foi dedicado à organização interna e à resolução de alguns constrangimentos, nomeadamente o bloqueio dos fundos comunitários. O segundo ano serviu muito para planear todas as obras que pretendemos executar nos próximos dois anos.

O balanço que faz é positivo?

Claramente. Em termos culturais e desportivos já estamos a fazer eventos que envolvem muito mais a população e atraem visitantes a Paredes, como o Paredes Handball Cup, o Rali de Paredes, o próprio desfile das festas da cidade e do concelho, o Festival do Churrasco, etc, que têm dado uma outra dinâmica ao concelho de Paredes.

Há muitas diferenças entre a gestão de uma empresa e de uma câmara?

Numa empresa, a forma de atuar é muito mais simples. Por exemplo, para resolver o problema com o telhado de um armazém, uma empresa pede orçamentos e executa a obra. Numa câmara municipal temos de ser nós a diagnosticar claramente o problema, é necessário abrir um concurso, para que várias empresas possam apresentar uma proposta. A obra é depois entregue a quem tiver o melhor preço e nem sempre quem tem o melhor preço é quem executa melhor e de uma forma mais célere.

Os procedimentos encravam muito a celeridade numa câmara municipal. Se for uma obra com fundos comunitários, além do concurso, temos de preparar e apresentar a candidatura e submeter a visto do Tribunal de Contas, se a obra custar mais de 350 mil euros.

Mesmo quando são obras que vão custar pouco ao erário da câmara, como é o caso da requalificação das EB 2/3 de Lordelo e Rebordosa, onde temos fundos comunitários e apoio do Governo, o Tribunal de Contas exige uma série de elementos que atrasam muito o início da obra.

“Em dois anos reduzimos o endividamento da câmara em mais de 14 milhões de euros”

 

Poucos meses depois de ter tomado posse, disse numa reunião pública que a situação financeira da câmara era ainda pior do que esperava. Foram esses os constrangimentos que enfrentou nos últimos dois anos de mandato?

Quando chegamos à camara sabíamos das contas até ao final de 2016, mas não sabíamos a quantidade de procedimentos que tinham sido lançados no último ano. Foram feitos mais de 100 procedimentos de contratação em 2017, sem planeamento, que só tornaram a situação financeira da câmara mais complicada.

Existia ainda a situação do não acesso aos fundos comunitários, que não era do nosso conhecimento, o que obrigou a um compasso de espera maior para concretizar alguns dos nossos projetos.

Além do forte endividamento e do problema dos fundos comunitários, a câmara não tinha projetos na gaveta. Os projetos da piscina ao ar livre, da requalificação do pavilhão e do estádio das Laranjeiras tiveram de ser feitos de raiz e no caso do Complexo das Laranjeiras, ainda, foi preciso comprar o espaço para avançar com as obras.

A entrevista completa na edição em papel de 31 de outubro de 2019 ou na edição online.

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