Quatro médicos julgados por não terem detetado tumor a jovem de Recarei

Publicado em Publicado por: O Paredense

Mais de seis anos após a morte de Sara Moreira, uma jovem de 19 anos que morreu vítima de um tumor cerebral, com mais de 1 quilo e meio, que nunca foi detetado, quatro  médicos do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa vão sentar-se no banco dos réus para responder pelo crime de violação da “legis artis”, ou seja, por não terem agido de modo adequado no tratamento e não terem pedido os exames de diagnósticos complementar que se impunham.

Apesar de ter estado 11 vezes à urgência  do Hospital Padre Américo, em Penafiel, os médicos associaram as queixas da jovem, dores de cabeça e desmaios, com um estado de ansiedade. Sara acabou por morrer a 10 de janeiro de 2013, dois dias depois da última ida à urgência. Mais tarde a autopsia veio confirmar que esta falecera como consequência directa e necessária das lesões provocadas por uma neoplasia.

Em junho do ano passado, um juiz de instrução criminal de Marco de Canaveses decidiu que apenas quatro dos cinco médicos envolvidos no caso seriam julgados. O Ministério Público ainda recorreu, mas em janeiro deste ano, o Tribunal da Relação do Porto negou provimento a esse recurso.

A Procuradoria Geral Distrital do Porto lembra que a jovem visitou, repetidamente, os serviços de urgência do hospital e que nenhum dos médicos que a atendeu diagnosticou “a neoplasia encefálica de grande volume com características de astrocitoma de que padecia e de cujos sintomas recorrentemente se queixava, ou sequer ordenado a realização dos exames complementares de diagnóstico adequados a detectar aquela patologia”. E acrescenta que “o Ministério Público não acusou os arguidos pela prática do crime de homicídio por negligência por ter considerado inexistir nexo causal entre a falta de diagnóstico e a morte, uma vez que o diagnóstico atempado seria apenas susceptível de aumentar o tempo de sobrevida da paciente e não de evitar a sua morte”.

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