Paredes e a Primeira República – Guerra Religiosa: Perseguição ao Clero (II)

Publicado em Publicado por: O Paredense
A «Festa da Bandeira» foi uma das festividades cívicas decretadas pelo Governo Provisório da República (IP n.º251, 1910)

A «Festa da Bandeira» foi uma das festividades cívicas decretadas pelo Governo Provisório da República (IP n.º251, 1910)

«Numa crónica intitulada ‘O Natal de 1910’, o pároco de Castelões de Cepeda, Pe. Francisco da Cunha Lima escrevia: ‘Talvez em terras portuguesas não tenha havido um Natal tão triste para a nossa família católica como o deste ano’. E acrescentava: ‘Portugal foi uma pátria de heróis quando teve a norteá-lo a Religião de Jesus. Hoje, sem ela, é uma terra de miseráveis e de cobardes em quem impera o egoísmo e falha por completo a honra e a dignidade’.»

O Governo Provisório da República foi bastante célere a pôr em prática uma série de medidas que visavam a substituição das celebrações religiosas por celebrações ditas «cívicas» e «patrióticas». Aboliu os feriados religiosos, ou dias santos, e, entre outras, transformou o Natal em «Festa da Família». Instituiu o dia 1 de Janeiro como dia da «Fraternidade Universal», o 31 de Janeiro como dia dos «Precursores e Mártires da República», o 5 de Outubro como o dos «Heróis da República» e o 1.º de Dezembro como dia da «Autonomia da Pátria Portuguesa» (no qual se celebraria a «Festa da Bandeira»). «Afonso Costa publicará as ‘Leis da Família’ no dia de Natal, e no Verão seguinte fará questão de publicar no Diário de Governo diversos decretos datados de 15 de Agosto, para deixar perpétua constância de que trabalhou e fez o ministério trabalhar na Assunção» (Seabra, 2009:59).

Texto escrito por Ivo Rafael Silva

 

Leia o artigo completo na edição em papel de 26 de julho de 2018 ou subscreva a edição online.

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