Paredes dá “pontapé na crise”

Publicado em Publicado por: O Paredense

Texto escrito por Cristina Borges.

Depois da terceira derrota consecutiva contabilizada na ronda anterior, o União Sport Clube de Paredes recebia o Gondomar com o objetivo de “deitar para trás das costas” o mau momento que atravessava.

Apesar da ambição paredense, os homens da casa tinham pela frente um opositor “aflito” na conquista de pontos. O Gondomar, que é a primeira equipa na “zona de descida”, mostrou ter ido a Paredes discutir o resultado e não “facilitar a tarefa” aos comandados de Eurico Couto.

Com um início de jogo equilibrado e bem disputado, a formação do concelho foi a primeira chegar ao golo. Aos 20 minutos, após o batimento de um pontapé livre de Jorginho, Madureira só teve de “encostar” para fazer o primeiro para os da casa.

Logo a seguir, o Gondomar reagiu e foi por pouco que não empatou a partida.

Quem não desperdiçou foi o Paredes, que precisou apenas de quatro minutos, para ampliar a vantagem. O cruzamento milimétrico de Joel Barbosa foi direto aos pés de Everton que fez o 2 – 0 para os paredenses.

Mas a tarde parecia de inspiração para os homens comandados por Eurico, que em apenas sete minutos, marcaram três golos. O terceiro teve a ajuda de Alberto Gomes que colocou a bola dentro da própria baliza.

Ainda antes do intervalo, os gondomarenses voltaram a protagonizar oportunidades de golo, que os visitantes não aproveitaram da melhor forma.

Apesar da desvantagem por três golos, o Gondomar entrou melhor no segundo tempo. A equipa de Américo Soares mostrou vontade em inverter o resultado e manteve “o foco” na baliza defendida por Dani Carvalho.

O conjunto de Gondomar mostrava-se “inconformado” com a derrota, mas não revelava “pontaria” na hora de finalizar. Do outro lado, o Paredes também não aproveitava as situações criadas para dilatar a vantagem.

O resultado manteve-se por isso inalterado até ao fim do encontro. O Paredes regressou assim às vitórias, ascendendo ao 8º lugar com 33 pontos. O Gondomar manteve a 14ª posição com 27.


No final da partida, Eurico Couto salientou a “atitude da equipa” e explicou a importância da equipa “viver um mau momento”: “Voltámos a ser quem éramos e quando somos quem realmente devemos ser somos sempre uma equipa difícil de bater. Voltámos à nossa identidade e penso que fomos superiores o jogo todo e que a vitória é mais do que merecida, podendo até ser por um número mais expressivo. No futebol isto da crise é sempre complicado porque quando não se ganha é sempre sinal de crise. Nós tivemos o mesmo número de jogos sem perder e também não dissemos que éramos os melhores e, por isso, neste momento também não éramos os piores. É importante que as pessoas percebam que nós só sabemos o nosso valor quando passámos por isto. Enquanto nós não soubermos passar por estas dificuldades e por estes desafios, nós não sabemos o valor que temos e é impossível ter algum tipo de desenvolvimento se crescermos só com facilidades. Este grupo está sempre pronto para este tipo de situações, umas vezes encara com uma atitude com uma crença e garra fundamental, outras vezes com um desleixo que faz parte. Mas este desenvolvimento, que temos num período de crise, é que nos faz crescer e ser melhores”.

Sobre a “resposta” dada pelos jogadores, o técnico paredense esclareceu: “Era uma resposta precisa, fundamentalmente para os jogadores, para eles não desconfiarem daquilo que são capazes. 80% destes jogadores acordou este clube já há alguns anos, são eles os responsáveis por estarmos onde estamos. Por isso, esta resposta foi uma bomba de entusiasmo para eles”.

Do outro lado, Américo Soares considerava “exagerado” o resultado do marcador: “Foi um jogo ingrato, em que nós vínhamos com uma estratégia de tentar enervar o adversário. Sabíamos que o adversário não vinha de uma boa fase e tentámos surpreendê-lo em transições. O Paredes acaba por ser feliz na forma como obtém os golos, num curto espaço de tempo, o que dificultou a nossa tarefa. Parece-me, quer pelos números, quer pelo jogo, que o resultado é justo mas a diferença de golos é muito grande. Os jogadores tiveram caráter e uma grande atitude, mas hoje a bola não entrava de maneira nenhuma. O resultado é pesado e injusto por tudo o que fizeram ao longo de todo o jogo”.

Sobre a posição ocupada na tabela classificativa, o técnico gondomarense destacou: “A nossa luta vai ser titânica, vamos ter de trabalhar muito e de nos unir cada vez mais na tentativa de sairmos da zona em que estamos. Mas acredito que, pela postura e pelo caráter e determinação que eles hoje tiveram que são capazes de reverter a situação a nosso favor”.

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