LA-Antarte deixa o ciclismo por recear novos escândalos de doping

Publicado em Publicado por: O Paredense
Equipa LA Alumínios Antarte da Volta a Portugal 2016

Equipa LA Alumínios Antarte da Volta a Portugal 2016

A equipa LA-Antarte abandonou o ciclismo profissional depois de o seu diretor desportivo ter suspendido a atividade, poucos dias depois do final da Volta a Portugal em bicicleta.

Em entrevista exclusiva ao jornal O PAREDENSE Mário Rocha explica os motivos desta decisão e assume o receio de a modalidade estar a regressar ao passado de escândalos de doping.

Mário Rocha, ex-diretor desportivo da LA-Antarte

Mário Rocha, ex-diretor desportivo da LA-Antarte

Disse no início de agosto que ia abandonar o ciclismo profissional. A decisão ditou o fim da equipa da LA-Antarte e de um projeto que orientava há 16 anos. Como explica esta saída?

Não me identifico com a forma como o ciclismo está a ser praticado em Portugal. Fui ponderando a minha saída durante o último ano e acabei por tomar a decisão em agosto e comunicá-la às autoridades competentes [Federação], aos patrocinadores da equipa e aos atletas. Só depois é que a tornei pública.

Estava no momento de sair? O que lhe disse a Federação?

O presidente da Federação convocou uma reunião com todos os diretores desportivos. Nessa reunião, que aconteceu no final da época passada, eu disse a todos os presentes que o ciclismo caminhava para um precipício. Que estávamos a caminhar para aquilo que de pior a modalidade pode ter. Mas nada mudou desde essa altura.

Continuamos a ter diretores desportivos que olham para o ciclismo como os jogadores viciados olham para o jogo, sem olhar a meios para atingir os fins.

Temo que aconteça a curto prazo o que aconteceu em 2008 e em 2009. E quando isso acontecer, não quero estar ligado à modalidade, nem eu nem a marca Antarte, que fundei com muito carinho.

Em 2008 e 2009 foram descobertos escândalos de doping no ciclismo português. É a isso que se refere?

Claramente. Em 2008 o escândalo de doping obrigou a intervenção da Polícia Judiciária e resultou no encerramento de uma equipa e na suspensão de vários atletas.

Em 2009, o caso teve consequências idênticas. Foi feito um controle surpresa fora da competição em que se detetaram três casos de doping, incluindo um diretor desportivo que atualmente dirige uma equipa e um atleta que hoje também está a dirigir uma equipa.

Enquanto estas pessoas estiveram ausentes da modalidade, e refiro-me também a alguns membros do staff, vivemos um ciclismo equilibrado. Agora que regressaram, voltamos a ver coisas impensáveis e anormais na modalidade.

 

Leia a reportagem completa na edição em papel de 8 de setembro de 2016 ou subscreva a edição online.

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