Falta de mão-de-obra qualificada afeta setor do mobiliário

Publicado em Publicado por: O Paredense

Portugal é cada vez mais (re) conhecido pela qualidade da produção de mobiliário a nível internacional, numa altura em que o mercado recuperou após os anos da crise e a necessidade de mão-de-obra aumentou.

Esta é uma realidade que afeta algumas áreas-chave da economia portuguesa, desde a hotelaria, ao turismo, passando pelos setores da indústria têxtil e da construção, onde há falta de profissionais especializados.

No setor do mobiliário esta dificuldade é sentida no terreno pelos empresários com unidades de produção fixadas no concelho de Paredes, um dos maiores polos de produção de mobiliário em Portugal.

A maioria acredita que a “dificuldade em arranjar pessoas para trabalhar” é uma consequência da baixa aposta na formação profissional orientada para o setor.

“Houve um crescimento muito grande das indústrias e em termos de mão-de-obra a resposta é insuficiente”, garante Celso Lascasas, responsável pelo grupo LasKasas, marca de design de interiores especializada no fabrico de móveis, estofos e metalurgia. Nas quatro empresas do grupo – LasKasas, Dom Kapa, Serralux e Homerecover – trabalham 225 pessoas.

No setor do mobiliário existem várias oportunidades de emprego para as quais não há mão-de-obra disponível no imediato. Isto apesar de a taxa de desemprego ser de 8,5% (dados do Instituto Nacional de Estatística, 3.º trimestre de 2017).

“Neste momento precisamos de recrutar para área da marcenaria. Temos 30 marceneiros, mas precisamos de integrar mais cinco ou seis pessoas para aumentar a produção”.

Em 2017 o grupo LasKasas cresceu 34% e contratou entre 60 a 70 novos trabalhadores. “As áreas mais críticas em termos de recrutamento é efetivamente a serralharia e os estofos. Mas também sentimos dificuldades em contratar para a parte administrativa, porque exigimos um bom domínio de línguas estrangeiras (inglês e francês) ”, sustenta o empresário, admitindo que este é um aspeto-chave na contratação de trabalhadores para este setor. O grupo LasKasas tem realizado um forte investimento na internacionalização das suas marcas, estando a exportar cerca de 30% da sua quota de produção.

Para dar resposta ao desafio da falta de mão-de-obra qualificada, a LasKasas passou a contratar jovens trabalhadores e desempregados sem experiência na área e a apostar na formação interna.

A estratégia, segundo Celso Lascasas, tem dado resultados, mas implica um “grande investimento” por parte da empresa. Na Dom Kapa, por exemplo, 30% dos trabalhadores tem menos de 25 anos de idade. A maioria já aprendeu a arte dentro da empresa. “Temos de pensar no futuro e neste momento não há outra solução”, sublinha o empresário, admitindo que nem sempre é fácil atrair os jovens para este tipo de trabalho manual, mesmo com “bons ordenados” e a possibilidade de evoluir internamente.

Este ano a Laskasas vai duplicar a área de produção da principal unidade fabril do grupo, criando mais 30 postos de trabalho. Celso Lascasas garante que o projeto de ampliação da fábrica já está em andamento. “Falta apenas encontrar as pessoas para trabalhar”, sublinha. 

“É difícil encontrar pessoas com vontade de trabalhar”

Silvestre e Júlio Carneiro, responsáveis por duas empresas ligadas ao setor, – a Pelcorte, especialista em estofos e a fábrica de cadeiras N.Chair’s – traçam o mesmo cenário em relação à mão-de-obra. “Felizmente existem muitos incentivos fiscais para as empresas crescerem e se fixarem em Paredes. Mas mesmo tendo a autarquia a apoiar o tecido empresarial, as empresas podem não conseguir crescer por causa da falta de pessoal para trabalhar. Há candidatos que têm pouca ou nenhuma formação e outros que têm falta de vontade de trabalhar”, assumem os empresários, lamentando as “enormes dificuldades” para encontrar “bons trabalhadores” nas artes ligadas ao ramo do mobiliário.

“Neste momento precisamos de contratar mais 3 ou 4 estofadores para reforçar a produção, mas não se encontra gente qualificada. E a vontade das pessoas que vêm para aprender também é muito pouca”, sublinha Silvestre Carneiro.

O empresário acredita que o cenário se agrava pelo facto de os candidatos, sobretudo os mais jovens com pouca ou nenhuma experiência, não “terem vontade de trabalhar” nestas áreas. “Muitos vêm à procura do emprego de sonho. Mas isso não existe em lado nenhum. Eles vêm para aprender, mas querem receber um salário igual ao de um trabalhador com experiência, o que não é aceitável para as empresas”, acrescenta Júlio Carneiro.

Tanto na N.Chair’s como na Pelcorte há falta de pessoal, sobretudo estofadores, maquinistas, marceneiros e costureiras. Mas o problema afeta também outros setores que estão também ligados às indústrias de mobiliário – serralheiros, construtores de estruturas e casqueiros.

 

Leia a reportagem completa na edição em papel de 25 de janeiro de 2018 ou subscreva a edição online.

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