“Estou disposto a servir o meu concelho como os paredenses quiserem”

Publicado em Publicado por: O Paredense
Ao que tudo indica, Alexandre Almeida será o candidato do PS à CM Paredes nas eleições do próximo ano

Ao que tudo indica, Alexandre Almeida será o candidato do PS à CM Paredes

Autárquicas 2017: Depois de, nas últimas semanas, terem sido anunciadas duas candidaturas à presidência da câmara municipal de Paredes, da área do PSD, O PAREDENSE esteve à conversa com Alexandre Almeida, último candidato do PS à câmara de Paredes em 2013 e, ao que tudo indica, novamente candidato pelo PS à presidência da autarquia nas eleições do próximo ano.

Depois do curso de Economia e de Revisor Oficial de Contas, o Dr. Alexandre Almeida terminou este ano o curso de Direito na Universidade Católica. Para além do seu trabalho profissional mantém uma intensa ação política como vereador na Câmara Municipal de Paredes e como dirigente concelhio e distrital do PS.

O que o levou a tirar o curso de Direito?

Diz o nosso povo que “o saber não ocupa lugar”. Quanto mais completa for a formação de cada pessoa, melhor. Para o meu trabalho ter conhecimentos de direito é importante e aumenta a minha competência profissional. Por outro lado, o curso de Direito fornece um conjunto de conhecimentos que são uma mais-valia para quem pretenda estar na atividade política. Deixe-me dizer-lhe que tirar este curso exigiu de mim um grande esforço. Sair do trabalho e ir para a universidade foi muito exigente. Mas, valeu bem a pena.

Quer dizer, tirou o curso de Direito para estar melhor preparado para ser presidente de Câmara?

Tirei o curso para poder ser mais competente na minha profissão como Revisor Oficial de Contas. Agora, é verdade que me sinto mais bem preparado para exercer funções de responsabilidade política, sejam elas quais forem.

 

 

Vereador diz está disponível para ser candidato, garantindo que no momento certo o PS decidirá sobre o assunto

Vereador diz que está disposto a servir o concelho, como os paredenses quiserem 

Mas quer ser presidente de Câmara?

Estou disposto a servir o meu concelho como os paredenses quiserem. Se for candidato a presidente de Câmara e tiver a maioria de votos dos meus conterrâneos, pois serei presidente para fazer o melhor que possa pelo desenvolvimento de Paredes e para lutar pela qualidade de vida de todos.

Disse se for candidato. Ainda não está decidido que será o candidato do PS à presidência da Câmara de Paredes?

Estou disponível para ser candidato. O Partido Socialista no momento certo decidirá. Ainda falta um ano para as eleições. Temos muito tempo pela frente. A minha profissão é muito exigente e o PS está a fazer o seu trabalho. Ser candidato é um desafio e uma missão. Só quem esteja cego pelo poder é que anda a correr a anunciar candidaturas.

Essa afirmação pode ser entendida como uma crítica às candidaturas já anunciadas?

Estávamos a falar de nós. Que fique claro, a minha preocupação é com o nosso concelho e com os problemas e anseios dos paredenses. Para isso temos que apresentar um projeto de futuro.

 


“O atual presidente preocupa-se em demasia com as coisas da política, em arranjar o seu candidato e dominar o seu partido, em vez de trabalhar de forma séria pelo concelho e pelas pessoas. A única grande preocupação que tem é pensar nas eleições e no seu candidato. Todos sabemos bem porque escolhe o seu tesoureiro”.


 

Que balanço faz da ação da Câmara neste último mandato?

A Câmara podia e devia fazer muito mais por Paredes e pelos paredenses. E digo isto com tristeza. A Câmara gasta dinheiro mal gasto. A Câmara podia e devia ser mais transparente. Usa truques pouco sérios para dourar as contas. A Câmara perde tempo em coisas de pouco interesse. O atual Presidente preocupa-se em demasia com as coisas da política, em arranjar o seu candidato, em dominar o seu partido, em vez de trabalhar de forma séria pelo concelho e pelas pessoas. Percebe-se que a única e grande preocupação que tem é pensar nas eleições e no seu candidato. Todos sabemos bem porque escolhe o seu tesoureiro.

São críticas duras. Não acha?

Nem me parecem críticas. Esta é leitura da realidade que posso fazer como vereador. O que se passa na Câmara mostra que quando os mesmos partidos estão muitos anos no poder se tornam obstáculos do desenvolvimento, da transparência e da participação democrática. Nós também somos fruto das circunstâncias que nos rodeiam. E as circunstâncias políticas em Paredes são de partidos que estão há quase 24 anos no poder, mais a servir-se do que a servir, mais a mandar do que governar, mais a conservar do que a transformar. É muito importante para Paredes que haja uma mudança tranquila, mas profunda na forma de governar o concelho. Uma mudança das pessoas, dos partidos, das práticas e das formas. É a pensar numa mudança tranquila e profunda que estou disponível para trabalhar por este grande desafio.

Alexandre Almeida

Alexandre Almeida

Já tem preparadas as ideias e promessas que apresentará?

As pessoas estão cansadas de promessas e de ideias apresentadas pelos políticos. A seu tempo anunciaremos os compromissos que nos mobilizam. Se for feito um esforço verificará que já anunciamos objetivos e compromissos desde 2013. Vamos ser coerentes e, por isso, que ninguém espere ilusionismos e mentiras da nossa parte.

Ninguém irá ver o PS a prometer cidades lunáticas ou inteligentes, que custaram muito dinheiro à Câmara. Ainda hoje há muito por explicar sobre o porquê de surgirem estes projetos irrealistas. O que lhe posso dizer é que temos objetivos claros.

Queremos uma Câmara melhor gerida, onde cada cêntimo seja bem aplicado, até porque vai ser o próximo executivo a pagar as dezenas de milhões de euros dos empréstimos que Celso Ferreira contraiu e cujos pagamentos foram empurrados para frente para ser o próximo executivo a pagar. Queremos uma Câmara transparente, mais próxima das empresas, das associações, das escolas e das pessoas em geral, sobretudo dos que mais precisam. Queremos um concelho onde se combata o desemprego, atraindo investimentos e empresas. Queremos um concelho com coesão social, onde se combata a pobreza. Queremos um concelho onde ninguém esteja esquecido e se combata, por exemplo, o isolamento de muitas pessoas idosas. Queremos um concelho onde as escolas mais que aparências estéticas tenham, de facto, as melhores condições para as crianças, os jovens e os professores. Queremos um concelho com vida cultural. Queremos um concelho onde as obras sejam anunciadas e concluídas até ao final. Veja-se o caso do Complexo Desportivo de Mouriz. Desde o início dos mandatos de Celso Ferreira que as obras foram iniciadas e nunca mais estão concluídas.

Apesar de se ter cometido o erro de retirar aos paredenses o complexo desportivo que tinham no centro da cidade e encaixado mais de 8 milhões de euros, continuamos sem a alternativa prometida. Queremos um concelho que tenha espaços em zonas industriais para atrair mais investimentos para Paredes. Veja-se o que se passou na zona industrial de Parada-Baltar, em que os terrenos foram adquiridos aos proprietários a 5 euros, e agora não se consegue lá fixar empresas porque os terrenos estão todos hipotecados aos bancos e a empresa proprietária em dificuldades. Que foi feito ao dinheiro dos terrenos que foram vendidos a 50 euros e mais o m2? Queremos um concelho onde todos saibam e sintam que a câmara municipal está ao seu lado.


“Vai ser o próximo executivo a  pagar as dezenas de milhões de euros dos empréstimos que Celso Ferreira contraiu e cujos pagamentos foram empurrados para frente para ser o próximo executivo a pagar.”


Este mês foi apresentado o Orçamento da Câmara para 2017 e na passada sexta-feira foi apresentado o Orçamento de Estado para 2017. Que leitura faz dos dois documentos?

Em relação ao primeiro tive oportunidade de me pronunciar sobre o mesmo na reunião de câmara e explicar a razão de o PS votar contra. Em primeiro lugar continua a ser um Orçamento que visa enganar quem o consulta. Um Orçamento que inscreve receitas que a Câmara sabe logo à partida que não vai obter. A Câmara apresenta um Orçamento para 2017 no valor de 63 milhões quando sabe que o seu Orçamento real será na ordem dos 40 milhões de euros.

Depois votamos contra o Orçamento, porque claramente verificamos que havia margem para a redução do IMI para o mínimo de 0,3%. Por que razão a Câmara vai continuar a penalizar os paredenses em 2017 com uma taxa de IMI de 0,4% quando podia aplicar o mínimo de 0,3% como fazem as câmaras à nossa volta? Como podemos competir com os concelhos vizinhos na atração de empresas ou famílias para Paredes se as fazemos pagar mais IMI que nos concelhos ao nosso lado?

Para além disso, o Orçamento para 2017 volta a apresentar uma enorme desigualdade na distribuição de investimentos pelas 24 freguesias.

Finalmente, espero que as obras eleitoralistas que a Câmara anda a prometer por todo o concelho para 2017 não sejam feitas à pressa e sem qualquer tipo de rigor e fiscalização, como já aconteceu no passado, para que depois se tenha de gastar novas verbas para as reparar.

Quanto ao Orçamento de Estado para 2017, dizer-lhe muito rapidamente, que se trata de um Orçamento coerente com aquele que já foi apresentado para 2016. Um Orçamento em que o Governo tenta repor algum poder de compra aos portugueses da classe média, anulando progressivamente a sobretaxa de IRS e aumentando as pensões mais baixas, tentando assim animar o consumo interno. Ao nível das empresas não houve aumento da taxa de IRC e do IVA, estando mesmo prevista uma redução do IRC para as empresas sedeadas no interior do país. Espero que a boa notícia da redução do desemprego que tem vindo a acontecer no país ao longo de 2016 se mantenha em 2017, porque o desemprego é uma das minhas principais preocupações no concelho de Paredes.

Agora pedia-lhe que respondesse a cada pergunta com um máximo de três palavras.

António Guterres?

O que deve ser um Político.

Papa Francisco?

O Papa que o mundo deve ouvir.

Marcelo Rebelo de Sousa?

O Presidente da República.

António Costa?

O Primeiro-ministro de que Portugal precisa.

Cavaco Silva?

Ex-Presidente da República já esquecido.

Passos Coelho?

Um político ao pé do abismo.

Durão Barroso?

Ambição sem limites e sem ética

José Sócrates?

Um político perante a Justiça

Celso Ferreira?

Presidente da Câmara no último ano de mandato.

Rui Moutinho?

O tesoureiro de Celso Ferreira

Granja da Fonseca?

Um presidente de Câmara do passado

Pedro Mendes

Vice-presidente da Câmara

Conceição Ruão

Deputada Municipal pelo PSD

Alexandre Almeida

 (Risos) Um paredense que gosta muito do seu concelho.

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