Comunidade cigana vai ser realojada, mas permanece no centro da cidade

Publicado em Publicado por: O Paredense

21 famílias da comunidade cigana vão ser realojadas em novas habitações sociais que serão construídas nos terrenos do lugar de Valbom onde, de resto, a comunidade se encontra instalada há 20 anos.

A câmara de Paredes já adquiriu os terrenos e vai apresentar uma candidatura a fundos comunitários, no âmbito do 1.º Direito – Programa de Apoio ao Acesso à Habitação, que visa apoiar a promoção de soluções habitacionais para pessoas que vivam em condições habitacionais indignas e que não dispõem de capacidade financeira para suportar o custo do acesso a uma habitação adequada.

O projeto está integrado na Estratégia Local de Habitação Social do Concelho de Paredes aprovada na última sessão da assembleia municipal, com um voto contra do CDS e nove abstenções da bancada do PSD.

Numa primeira fase serão construídas 26 habitações sociais. O presidente da câmara, Alexandre Almeida, lembrou que “esta comunidade está enraizada na cidade de Paredes e, como tal, fazia sentido continuar onde está”.

A câmara de Paredes avançou com a compra dos terrenos no lugar de Valbom a mais de 20 proprietários, num investimento de 650 mil euros. Segundo o autarca, são 16 mil metros quadrados de terreno não só onde a comunidade está instalada, mas também a montante, de forma a começar a construção, realojando alguns ciganos e deitando algumas barracas abaixo.

O projeto terá duas fases. Na primeira, a autarquia vai estar “muito focada na resolução deste problema de falta de salubridade em que a comunidade vive”. Na segunda fase o projeto contempla a construção de mais habitação social para outras famílias com necessidades.

Ao todo serão realojadas 21 famílias em habitações de tipologia T2 e T3. Estão também a ser estudadas as melhores formas de construção para que sejam respeitadas as especificidades daquela população, assegurou o presidente da câmara.

Se este programa continuar em vigor, o executivo pretende ainda adquirir alguns prédios devolutos que estão espalhados pelo concelho e construir mais habitação social, com o apoio de fundos comunitários.

CDS vota contra e PSD soma nove abstenções

Apesar da explicação dada pelo chefe do executivo, o CDS afirmou ter sérias dúvidas em relação à solução encontrada para o problema da comunidade cigana.

“Ao contrário do que é publicitado, o PS não tem qualquer intenção de reintegrar a comunidade cigana instalada atrás da autarquia. O que o PS propõe, não só não resolve o problema dos moradores no acampamento no lugar de Valbom como promove uma situação dúbia onde não se vê quem possa beneficiar, mas se vislumbra quem sairá de novo, e como sempre, prejudicado: os cidadãos que vivem em condições degradantes no acampamento atrás do edifício da autarquia e as famílias em todo o concelho que também não têm habitações condignas e que, mais uma vez, não verão as suas condições de habitabilidade e de vida melhoradas”, frisou a deputada Ana Raquel Coelho, na justificação de voto do partido, acusando o executivo de “manobra eleitoralista” e de “adiar o problema para depois das eleições”.

A CDU defendeu que “o problema da comunidade cigana é um problema do concelho de Paredes e de todos os cidadãos” e que a solução encontrada pelo executivo é um passo positivo”. Não acredito que não se possa concretizar a médio e longo prazo”, atirou Cristiano Ribeiro.

Rui Silva, do PS, lembrou que o problema da comunidade cigana atravessou seis mandatos do PSD na câmara municipal e que a “medida mais emblemática feita por estes executivos foi tapar o acampamento com chapas na parte virada para a circular interna de Paredes para limitar a visão para o triste cenário que mais parece um condomínio fechado”.

 “Foi preciso o PS vencer as últimas autárquicas para que esta obra ganhasse força suficiente para se tornar uma prioridade”, rematou.

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