Autárquicas 2017: “Quando o CDS deixou o governo da autarquia, Paredes era o maior concelho da região”

Publicado em Publicado por: O Paredense

José Miguel Garcez – candidato do CDS à câmara municipal de Paredes

José Miguel Garcez tem 30 anos, é natural de Paredes e lidera a candidatura do CDS à câmara de Paredes com o objetivo de recuperar a dinâmica e a dimensão que o concelho já teve na região, quando foi governado pelo CDS.

Diz que nos últimos 24 anos o PSD não soube ser poder, mas o PS também não soube ser oposição.

Se vencer as eleições promete auditorias a todos os processos que levantam suspeitas, desde logo às contas do município e ao processo do Organismo Europeu de Luta Antifraude e os indícios de corrupção e fraude com os fundos usados nos centros escolares.

O que o motivou a sua candidatura à câmara municipal de Paredes?

Qualquer cidadão minimamente atento, independentemente das suas orientações políticas, se não quer ser candidato, no mínimo, sente que é preciso fazer qualquer coisa que inverta o rumo que o concelho está a levar nas últimas décadas. O CDS entendeu que, para isso, precisava também de acabar com o marasmo que vinha caracterizando o partido nos últimos tempos. Pelos apelos dos cidadãos de Paredes que nos lembravam que, enquanto o CDS foi poder em Paredes, sentiam orgulho em dizer que eram ou viviam em Paredes, pelo apelo dos dirigentes nacionais do partido a que pertenço há 16 anos, pelo consenso que os meus colegas da concelhia reuniram à minha volta e até por motivação própria, não podia ficar indiferente a esta necessidade de constituir uma candidatura do CDS, em que o partido é apenas a ferramenta que une um conjunto de cidadãos ativos e responsáveis num projeto comum: Salvar Paredes.

O CDS-PP é um partido com história em Paredes. Contudo, nas autárquicas de 2013 obteve apenas 3,69% dos votos. Faltou em Paredes uma liderança forte ao CDS?

A política, como a vida, é feita de períodos bons e outros menos bons. Por outro lado, apesar da história de que se orgulha enquanto governou o concelho de Paredes, não podemos ignorar que a política é também uma ciência que se caracteriza por ciclos. O CDS teve o seu ciclo político que se esgotou em 17 anos, o PSD teve o seu que se prolongou já por quase 24 anos. É certo que o PSD só se tem mantido no poder para além do seu ciclo, mais que esgotado e com prejuízos incalculáveis, através de manobras legitimadas por votos nem sempre bem contados. Contudo, não podemos esquecer que Paredes é um concelho sociologicamente de centro.

Agora o problema é outro. O PSD vai perder as eleições, não só pelo fim do ciclo político, mas também pelas gestões erráticas que tem desenvolvido e cujas consequências só se saberão depois de 1 de outubro.

Cabe ao CDS não permitir que o descontentamento dos eleitores do PSD se encaminhe para o PS. Não é natural que um eleitor do PSD vote no seu principal adversário político, o PS.

Se os eleitores estiveram atentos vêem que o PSD desgovernou, mas o PS nada fez para inverter o ciclo. A oposição também tem direitos e responsabilidades e o PS não soube opor-se aos desmandos do PSD e até foi seu cúmplice em muitos dos “crimes políticos” que o PSD cometeu.

Em política, é tão nobre ser poder como ser oposição. Em Paredes, nos últimos 24 anos, o PSD não soube ser poder e o PS não soube ser oposição. Há uma grande diferença entre Ser oposição e Estar na oposição. O PS contentou-se em estar na oposição à espera que o poder já podre lhe caísse nas mãos. Quem não sabe Ser oposição muito menos será capaz de Ser poder.

 

“Começamos agora o caminho para vencer as próximas eleições. Pelo concelho de Paredes e com paredenses de corpo e alma”

 

Tem sido um dos candidatos mais críticos da gestão autárquica dos últimos anos. Sente que a população está descontente com o estado atual do concelho?

Mais do que descontente. A maior parte da população está indignada com aqueles que usaram o poder nas últimas duas décadas. Quando o CDS deixou o governo da autarquia, Paredes era o maior e mais atrativo concelho da região. Hoje somos a cauda do Vale do Sousa e a AMP nem dá conta que Paredes existe.

Eramos o único que tinha uma universidade, o que tinha as melhores zonas industriais e os melhores acessos a todo o concelho, eramos o único concelho que tinha uma zona escolar complementada por uma zona desportiva, com um pavilhão capaz de receber eventos desportivos de dimensão internacional e um estádio com campo de treinos do clube que o utilizava. Eramos, enfim, o melhor concelho para viver na região e sentíamos orgulho de ser ou viver em Paredes. Hoje, só podemos perguntar: O que resta disso?

Resta abandono, desprezo e uma política concertada para prejudicar a grande maioria dos cidadãos em favor do interesse particular de uma meia dúzia de pessoas no poder ou ligados a ele.

Na apresentação da sua candidatura assumiu um conjunto de compromissos com vista a revitalizar o concelho e a recuperar a qualidade de vida das pessoas. Como pretende fazê-lo?

A qualidade de vida de uma cidade média mede-se por uma série de parâmetros de que nem o representante do PSD ou do PS falam. Mede-se por um PDM bem elaborado, com entraves ao crescimento em altura, limitando o número de pisos e travando a especulação imobiliária. Mede-se pela criação de espaços verdes e de lazer para a fruição dos habitantes. Mede-se por políticas continuadas para a juventude e para os idosos e não só em anos de eleições. Levar os idosos a passeios não pode ser a única forma de permitir o envelhecimento com dignidade. Mede-se pela oferta de uma rede de creches que desde cedo permita aos seus progenitores irem para os seus empregos e estarem descansados, sabendo que os seus filhos estão a ser bem tratados.

Quer um exemplo? O PSD e o PS dizem que vão recuperar, não sabem bem como, mas dizem que vão recuperar o Complexo das Laranjeiras. Consulte o Diário da República de 22 de Maio de 2014 e veja a alteração do Plano Diretor Municipal. Ambos aprovaram o fim daquele espaço. Querem construir prédios em alta densidade. Querem construir mais prédios encavalitados e retirar aquele espaço às cerca de 4.000 crianças e suas famílias que por ali circulam diariamente.

Podem encher o concelho de cartazes a dizer que gostam muito do complexo das Laranjeiras que os eleitores já não se deixam enganar.

Quer outro exemplo? Sabe qual foi o 1.º concelho do Vale do Sousa e Baixo Tâmega a ter uma universidade? Foi Paredes, a CESPU, em Gandra. Sabe que logo nessa altura o então presidente da câmara, Jorge Malheiro, reservou na sede do concelho um espaço para a instalação das extensões da CESPU?

E o que aconteceu nos últimos 24 anos? No princípio, Granja da Fonseca só não fechou a CESPU porque a universidade teve mais força. E o que fez o PSD, sempre a governar a câmara, para trazer um polo universitário para a sede do concelho? Nada. Enquanto isso, Penafiel já tem duas universidades na sede do concelho.

Imagina a vida que a cidade de Paredes teria se tivesse um pólo, bastava um, da CESPU ou de outra universidade qualquer?

Vê como a cidade podia ter vida própria, ser próspera e agradável? Basta mais vontade política e menos arrogância e prepotência no exercício do poder. É preciso gostar do concelho e da sua cidade-sede.

 

Leia a entrevista completa na edição em papel de 21 de setembro de 2017 ou subscreva a edição online.

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